terça-feira, 8 de agosto de 2017

Pessoas intrusivas

Não sei se sou eu que sou muito protetora da minha intimidade para não gostar de certas perguntas ou se sou demasiado envergonhada/"não tenho lata" para fazer eu própria certas perguntas, mas eu acho mesmo que há perguntas que ninguém deveria fazer a outra pessoa. Há coisas que ninguém precisa de saber, por muita curiosidade que desperte. 

Detesto quando percebo que alguém quer saber tanto da minha vida quanto eu. Sempre detestei ter que dar justificações, prestar contas a alguém, explicar-me, justificar-me. Da minha vida sei eu e partilho o que quero com quem quero. Dispenso pessoas indelicadas cujo único objetivo com alguns comentários e perguntas é saber o que faço ou fazer contas à minha vida. Cada um saberá o que considera intrusivo, já que há pessoas que são completos livros abertos, mas eu acho que há coisas que ninguém precisa de saber e não percebo como é que as pessoas têm lata para fazer certas perguntas.

Um exemplo que a mim me deixa sempre desconfortável é falar de dinheiro e valores específicos, de quanto ganho ou quanto tenho no banco, para que o quero usar, etc etc. Noutro dia falava com uma amiga que me estava a aconselhar a fazer uma pequena viagem e eu comentei que gostaria mas, de momento, não havia dinheiro para isso. Comentou ela que pensava que eu agora estava a conseguir amealhar um bom dinheirinho por causa do meu novo emprego e eu disse que estava a conseguir pôr de parte algum dinheiro, mas que seria para outras coisas que considero mais importantes neste momento. Nisto ela pergunta-me se estou a poupar dinheiro para uma casa. Achei aquilo bastante intrusivo, apesar da boa relação que temos. Em primeiro lugar, acho que dizer a alguém "pensava que agora estavas a juntar dinheiro", baseado num salário que não sabem qual é e na premissa de que a pessoa tem que o fazer, já me parece bastante despropositado. Eu não o diria. "Um bom dinheirinho" também é muito subjetivo. Segundo, perguntar para que é que a pessoa está a juntar dinheiro também não me parece que seja do máximo interesse de ninguém, além da pessoa em questão. Que é que lhe interessa se junto ou não e para quê? Só faltou querer saber quanto tenho e pedir extratos bancários.
Bem sei que não o fez por mal, mas caiu-me mal. Acho que ninguém tem nada a ver com isso e, tratando-se de questões de dinheiro, ainda mais. Não tenho problemas com o que ganho, com o que gasto e com o que junto, não ando em segredo de ninguém, mas também não interessa aos outros porque só o perguntam para fazer contas à minha vida. Se respondo a estas perguntas, sinto que me estou a justificar e não devo justificações a ninguém para ter que prestar contas da minha vida.

Quem diz assuntos de dinheiro, diz outras coisas. Este é um tópico que acho intrusivo, mas há outras coisas que não gosto que me perguntem. Nunca falo da minha relação, por exemplo, a não ser o "está tudo bem" típico de quando perguntam como vão as coisas. Ninguém tem que saber de nada do que eu faço ou digo na minha intimidade nem exporia a intimidade do outro sem autorização. Tudo o que seja muito pessoal e completamente fora de contexto, não gosto. Claro que também depende de quem pergunta e da forma como se dirigem a mim. Uma pessoa bem intencionada da família, um amigo muito próximo se estivermos a debater aquele assunto... Agora, sem preparo nenhum, só na base da curiosidade e para controlar, não gosto. Não digo que foi o caso da minha amiga porque não foi. Não me ofendi com ela, apenas achei despropositada a pergunta tão direta pois são coisas muito pessoais e sobre as quais, ao contrário, ela também não fala. Acho que há coisas que só interessam mesmo a mim, mais ninguém precisa de saber. Curiosidade toda a gente tem, mas até há perguntas que ofendem.

Já alguma vez se sentiram incomodados com uma pergunta?

9 comentários:

  1. Pelo menos, perguntam :) (o que, sim, é indiscreto). A mim também já me perguntaram, várias vezes, por curiosidade, quanto ganho ao certo, quanto ganhei no mês passado, quanto dinheiro tenho (principalmente, desde que comecei a fazer arte - pintura). É mau, mas acho que pior do que isso é assumir que conhecem a vida dos outros e dizer constantemente "devias era fazer isto", "devias fazer antes aquilo", "e se fizesses não sei quê?" É péssimo, ainda se as pessoas a quem se dirigem não tivessem os seus objetivos e não fizessem nada, talvez se pudesse considerar, mas quando já se tem os dias preenchidos com assuntos próprios, profissionais, académicos, pessoais, não se justifica. Ou, então, conversas como "vais? não devias, podias ficar em casa..." e, as mesmas pessoas, noutras vezes "ficas em casa? devias sair..." Isto, sim, é uma das coisas que me incomoda! E, ainda pior, assumir que tenho tempo para fazerem planos da vida delas a contar com a minha participação, sem perguntar nada e, mesmo, ficando ofendidos se não posso ou não quero. Realmente, é verdade que há pessoas intrusivas, se não estivermos atentos, chega um momento em que já nos estamos a justificar demasiado e não temos que o fazer!

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    1. Tal e qual! Pessoas que pensam que podem sempre opinar sobre a nossa vida, que nos incluem nos planos sem nos perguntarem primeiro, que acham que podem e devem dar palpites... Quando estava desempregada, toda a gente sugeria planos de ação: tens que estudar mais, tens que tirar outro curso, tens que procurar no sítio x, tens que aproveitar para descansar/sair/passear, tens que falar com a pessoa y, olha aqui esta oferta de emprego que não interessa a ninguém, ... Pessoas intrusivas dão-me nos nervos :)

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  2. Great post dear

    Have a nice day! :)

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  3. Concordo a 100%. Mesmo que ouça dessas perguntas vindas de outra pessoa e não sendo dirigidas a mim já me sinto constrangida. Acho uma invasão da privacidade. Se a pessoa quiser contar o porquê de estar a juntar dinheiro ela irá dizê-lo, se não diz é porque não quer. Para quê perguntar? A mim já me perguntaram: " Se não é indiscrição, quanto ganham (eu e o namorado)?" Fiquei parva! Acho que se notou que não gostei da pergunta, e nem respondi. Passei a bola ao namorado!
    Acho uma falta de noção mesmo!
    https://jusajublog.blogspot.pt/

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  4. Realmente há pessoas que querem saber (e opinar) sobre a vida dos outros.
    No caso da tua amiga, a que perguntou se era para uma casa, não vejo qual o problema. Se te conhece e sabe que namoras há uma vida e estás desejosa de ir morar com o teu namorado, é normal que tenha feito a pergunta. Parece-me interesse por amizade e não por cusquice.

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    1. Foi o que eu pensei, não me senti ofendida nem nada disso e percebi perfeitamente o contexto, mas ainda assim não gostei da pergunta. Sei que perguntou porque temos muita proximidade, falamos de muitas coisas da nossa vida e é o passo lógico e seguinte da minha vida. Não me ofendi, apenas não gosto que me façam este tipo de questões. Bem sei que não foi por cusquice ou com outras intenções. Apenas me lembrei que foi algo que não gostei que me perguntassem e lembrei-me que há imensas coisas deste género que me "caem mal" e decidi escrever o post :)

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  5. Eu raramente pergunto o que quer seja, mesmo sendo amigas próximas. Nada de perguntas que considero delicadas. Se quiserem partilhar comigo, sabem que estou de ouvidos e coração aberto para partilhar. Assim como que, quando quero partilho com que quero. O que sinto é que, com o passar dos anos, as pessoas com quem partilho e que partilham comigo são cada vez menos. A distância, o tempo sem contacto, afasta-nos e nem sempre é fácil de colmatar.
    Relativamente a salários e já me perguntaram e eu respondi, mas foi numa de saber apenas como nota informativa. Foi na caso do estágio profissional. Também já perguntei a pessoas que valores de consultam praticam e que percentagem aplicam apenas para me guiar numa entrevista que tive e não meter o pé na poça.
    Mas concordo contigo, há coisas que são nossas, que não necessitam de ser partilhadas. Mas as pessoas são cruéis e adoram mandar comentários, bocas e afins. Odeio quando me dizem que está na hora de arranjar alguém (como se "arranjar" alguém fosse ir ali à prateleira do supermercado e analisar preços e características do produto), odeio quando me dão palpites sobre a minha situação profissional e a minha pequena independência (ninguém melhor do que eu sabe em que situação está e o que deseja, mas nem sempre há um alinhamento entre o que desejas fazer e o que podes fazer). Mas claro, para quem está de fora é tão fácil. É tão fácil escrever o guião das vidas dos outros, esquecendo-se que têm o próprio guião para fazer. Confesso que este tipo de atitudes intrusivas e comentários mesquinhos já me fizerem afastar dessas pessoas. Começo a ficar sem paciência!!!
    Beijinhos

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  6. Concordo que há tópicos sensíveis e que muita gente pergunta só mesmo por pura cusquice. Ainda assim, com os amigos próximos (mesmo próximos), não me importo de discutir estas coisas... Nunca perguntei a ninguém quanto ganhava, mas já tive discussões com amigas que me diziam que se tinham candidatado a emprego X e que não sabiam se o ordenado seria suficiente para pagar possíveis despesas. Penso que aí seja diferente... São pessoas mesmo próximas, que me dizem isto, para terem uma opinião de quem se preocupa com elas. E também já tive outras a simplesmente dizerem-me "opa, estou a fazer isto, e só ganho isto... é uma miséria, não dá para nada", no sentido de desabafo.
    Mas depois... Há pessoas mesmo intrometidas, que querem saber mais do que nós -.- Muitas vezes é para andar a espalhar!! E as comparações?? Uiiii... Adoro (só que não). É com o que ganhámos, com o que fazemos, com o que temos, com o que comemos, com o que compramos. Já ninguém pode ter vida própria. Enfim...

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  7. Há coisas que não acho intrusivo, como conversas sobre relacionamento, sexo, dinheiro entre amigos, pessoas próximas, com quem dá para falar sobre tudo. No entanto, o que acho intrusivo é que pessoas que não têm confiança suficiente para tal, queiram ter comigo essas mesmas conversas. Também detesto perguntas, palpites e comentários sobre casar, namorar, ter filhos e qual a altura certa para cada uma delas. E o que me mexe mesmo muito com os nervos é quererem combinar algo ou combinarem e convidarem-me e eu dizer que não (seja não poder ou não querer) e quererem saber porquê. Na academia onde ando, as instrutoras gostam muito de perguntar "Porque não vieste ontem??" "Porque só vieste agora?" "Porque não ficas para a próxima aula?" Que raio? Porque não e pronto.

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